Não somos o Cristo

Olá, queridos! O texto que segue é uma compilação humilde de uma pregação que ouvi no sábado (22/08), no culto em agradecimento a Deus pelos 77 anos da SAF da Primeira Igreja Presbiteriana em Itaperuna, palavra trazida à luz pelo Reverendo Ronaldo, missionário na cidade de Santiago, no Chile.

"Depois disto foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judeia, onde se demorou com eles e batizava. Ora, João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e o povo ía e se batizava. Pois João ainda não fora lançado no cárcere. Surgiu então uma contenda entre os discípulos de João e um judeu acerta da purificação. E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, eis que está batizando, e todos vão ter com ele.
Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que eu disse: Não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo. É necessário que ele cresça e que eu diminua."
João 3:22 - 30

A fala de João revela muito sobre sua disposição de espírito, sua convicção do seu chamado e sua consciência do seu lugar no mundo. 

João Batista começa repreendendo aquele que aponta Cristo se destacando como algo prejudicial a João e ele diz "O homem não pode receber coisa alguma se não lhe for dada do céu". Ele se identifica como homem incapaz de produzir para si qualquer coisa, muito menos seu chamado e propósito. O centro da nossa vida não é o que somos e o que temos, até porque nossa existência é devida a Outrem. Se o fato de existirmos é devido à um Criador, quanto mais todo o resto, que deriva de um fato alheio à nossa própria vontade. Falando dessa forma João deixa claro que tudo que ele havia feito, estava fazendo e poderia vir a fazer, no seu ministério, vinha do próprio Cristo.

"Eu não sou o Cristo". Há algumas implicações interessantes dessa fala na nossa vida. A primeira é que não há sobre nossos ombros a responsabilidade de salvar ninguém, de redimir ninguém, de carregar a culpa da perdição de alguém. O Cristo veio, morreu, ressuscitou e vivo está. Glória seja dada ao Pai por isso. O Cristo é que faz a obra de redenção, somos coadjuvantes da obra redentora de Cristo aplicada pelo Espírito através da pregação e testemunho. E essas duas palavrinhas, pregação e testemunho, já carregam em si muita responsabilidade. Reconhecer que não somos o Cristo é abrir mão do lugar de honra na salvação dos outros, é também deixar de lado o fardo da perdição dos outros. 
A segunda implicação é que somos precursores de Cristo na vida dos outros, e nossa glória está nisso. Nosso papel é de apontar para Cristo até que Ele se manifeste, nossas palavras são de arrependimento e esperança. Anunciamos a vinda do Rei, mas a mensagem da vinda do Rei não é a glória em si, a glória está com o Rei em seu retorno. E ficamos felizes em sermos os anunciadores do Reino.

"Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo." A centralidade de Cristo na nossa vida deve ser tal que quando Ele é glorificado nós estamos felizes. Quando Ele é adorado, nos sentimos satisfeitos. 
A igreja é do Senhor. Quem desposa a noiva, cuida, ama e recebe amor da noiva, é o NOIVO, não o amigo do noivo. O amigo do noivo serve o noivo e se alegra com a alegria dele, esse é o seu lugar.

"É necessário que ele cresça e que eu diminua." O engano de Satanás no Jardim do Eden foi colocar a vida humana como o centro e o fim dela mesma. Atraídos pela glória de ser como Deus, nossos pais caíram. E quando Cristo se revela entre os homens, uma palavra é lançada: Ele é o Centro. A glória dEle é a que de fato importa e É! 

Catecismo Menor de Westminster
1- Qual é o fim supremo e principal do homem?
Resposta: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Rm 11:36; 1Co 10:31; Sl 73:24-26; Jo17:22-24

Um forte abraço!

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